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Há mais espécies de tubarões do que se pode imaginar!
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Tubarão - 30º Aniversário
“Tubarão”

Pergunte a qualquer um que tenha visto “Tubarão” qual foi o impacto que este filme causou na forma de ver estes animais,  e você terá a mesma resposta – fez com que as pessoas pensassem duas vezes antes de nadar no mar. A idéia de haver um peixe devorador, grande, armado de uma boca com dentes afiados como uma navalha nadando em nossas praias causa medo e terror nas pessoas; tanto que alguns sofrem de fobia de tubarão – conhecida como selachophobia – e são incapazes de tomar banho na praia com medo de serem comidos pelo animal.

O filme “Tubarão” é o responsável por estes medos? Não há dúvida de que o medo geral de tubarões é um fenômeno relativamente recente que aumentou significativamente com o lançamento do filme de Spielberg, em 1975. As descrições chocantes de ataques e a memorável conquista de John William iniciaram uma onda de histeria e matança descuidada de tubarões no mundo todo. Mas até o início do século XX, os tubarões não eram tão conhecidos pelo público; o banho recreativo no mar era considerado um hábito excêntrico nos países ocidentais e pouquíssimas pessoas já tinham visto um tubarão vivo. Mitos sobre tubarões tiveram papel importante em muitas culturas em todo o mundo durante séculos. Um vaso encontrado na Itália, datado de 725 a.C., ilustra um homem sendo engolido por um peixe gigante, e é a primeira representação ocidental conhecida de um ataque de tubarão. Houve muitas descrições artísticas e literárias de ataques de tubarão desde então. Alguns especialistas acreditam até que a história sobre Jonas da Bíblia foi originalmente baseada em um tubarão-branco, em vez de uma baleia.

O filme “Tubarão” deu vida a estas histórias para milhões de pessoas em todo o mundo, lembrando que há realmente terrores escondidos em nossos oceanos. Ao contrário dos clássicos filmes de terror, nos quais a grande força do choque é baseada em nossa imaginação, “Tubarão” foi baseado na realidade. Enquanto o peixe que aterrorizava a ilha de Amity nunca existiu, o tubarão-branco de 5,18 metros e 2.063 quilos que inspirou a história original de Peter Benchley certamente existiu. Uma série de ataques fatais em New Jersey em 1916 definitivamente aconteceu; e na época não havia a cobertura massiva da mídia de hoje. Assim como o naufrágio do USS Indianapolis em 1945 – um evento memorável descrito pelo personagem de Quint no primeiro filme “Tubarão” –, que resultou nas mortes relacionadas a tubarão de talvez centenas de marinheiros americanos.

Não seria nenhuma surpresa que alguns telespectadores reagissem negativamente ao filme “Tubarão”. Apesar de grande número de evidências de que ataques de tubarões sejam raros – você tem mais chance de ser morto em um acidente envolvendo uma máquina de refrigerantes do que por um tubarão –, o medo deles ainda existe, um fenômeno que muitos psicólogos e biólogos marinhos relacionam ao filme de Spielberg. Atualmente, um pequeno número de fatalidades anuais resulta em vingança contra estes assassinos; e a fobia de tubarões continua a ser um sério problema para muitas pessoas, até mesmo para aqueles que vivem a milhares de quilômetros de distância do oceano.

Peter Benchley, autor do livro no qual o filme foi baseado, é apenas uma entre muitas pessoas que estão trabalhando seriamente em prol dos tubarões. Benchley atualmente dedica boa parte de seu tempo protegendo tubarões em todo o mundo e educando o público sobre o seu comportamento, dizendo ainda que ele não poderia escrever a mesma história hoje. Talvez seja muito tarde para ajudar milhares de peixes que morreram indiretamente em decorrência do filme, ou para acalmar o medo que se tornou tão profundo em nossa cultura. Mas há uma boa chance de que quanto mais aprendermos sobre tubarões e o seu comportamento, mais conseguiremos conservá-los, em vez de temê-los ou assassiná-los.

Fotos: DCI