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Entrevista
Quanto tempo dedica a pesquisa de flora e fauna antes de ir a um local? Apesar de ter um bom conhecimento geral de métodos de sobrevivência, nunca saberei antemão que plantas são comestíveis em uma selva como a Costa Rica, quais criaturas poderão me matar ou como fazer algo que nunca fiz antes, como um iglu.
Para cada local, faço três a quatro dias de treinamento com pessoas nativas; no ártico, foi com um caçador esquimó chamado Sam Omik; na Costa Rica, Victorio, um espanhol magrinho e mestre curandeiro tradicional, que fala inglês; no Deserto de Sonora, Dave Halloday, que nasceu e foi criado andando em meio a cactos e morando na terra. Cada uma dessas pessoas compartilhou comigo o seu conhecimento sobre as respectivas áreas. Além disso, eu e meu colega e especialmente em sobrevivência, Mike Kiraly e minha pesquisadora em flora e fauna, Maxine Crook, passamos um bom tempo fazendo pesquisas científicas antes de eu me aventurar.
Como a ciência o ajuda (ampla ou especificamente) quando está em um local? Para mim uma parte fantástica desta experiência é testar os “métodos comprovados de sobrevivência” que se encontram em livros, bem como as ações utilizadas por sobreviventes que conhecemos... mesmo se estiverem erradas. Por um lado, eu consigo desbancar métodos de sobrevivência que ensinam por aí, e, por outro, sou uma espécie de “rato de laboratório da sobrevivência” para o telespectador.
Por exemplo, sabe-se pelas pesquisas, que a maioria das pessoas não resistirá ao impulso de sair andando de uma situação, mesmo que o conselho dos especialistas seja para esperar o resgate. É um pensamento que irá atormentar um sobrevivente constantemente — "Talvez eu consiga sair vivo por mim mesmo". "Tem de haver um caminho de volta em algum lugar." Por isso, mesmo sendo um instrutor de sobrevivência e sabendo que deveria permanecer em minha praia paradisíaca na Costa Rica, eu me aventurei selva adentro como experiência prática para testar o quão duro pode ser agir sob impulsos irracionais.
Na experiência do acidente de avião (3º episódio) — eu tinha gasolina, bateria e fios. Isso deveria ser igual a fogo, mas em vez de testar a coisa antes, preferi me posicionar como uma vítima de verdade — alguém que nunca acendeu fogo dessa maneira antes.
Que ramos da ciência são apresentados no programa? Mediante a etnobotânica, minhas experiências de sobrevivência são por vezes menos patéticas. Uso meu conhecimento para procurar e colher as plantas que podem sustentar minha vida e renovar minhas energias para “tocar o barco”.
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