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Ele tentou nos convencer de que os ursos pardos não eram as feras perigosas que pensávamos ser. Mas afinal, Timothy Treadwell estava errado – um urso se voltou contra ele e o matou. Seus restos e os de sua namorada, Amie Huguenard, foram descobertos perto de seu acampamento no Parque e Reserva Nacional Katmai, no Alasca. Eles foram espancados e devorados por um urso pardo, e foram as primeiras vítimas conhecidas de um ataque de ursos no parque. Mais tarde, o urso suspeito de tê-los atacado foi morto a tiros pelos guardas do parque.
O filme do diretor Werner Herzog usa as impressionantes cenas do documentário de Treadwell para pintar um retrato cheio de nuances desta figura fascinante e complexa, suas razões e seu frágil relacionamento com os animais.
O Discovery Docs, a unidade de documentários dramáticos do Discovery Channel, fez uma parceria com a Lions Gate Entertainment para co-produzir o documentário O Diário do Homem-Urso.
As imagens captadas por Treadwell dos ursos em seu habitat natural são profundas e espetaculares. Mais fascinantes ainda, no entanto, são as vezes em que Treadwell aponta a câmera para si mesmo, testemunhando seu amor quase religioso pelos ursos pardos e revelando emoções não tão atraentes e muito humanas, incluindo a vaidade, a fúria, a paranóia e a solidão.
"Em seu material, descobri não só um filme sobre a vida selvagem, mas uma história de impressionante beleza e profundidade," diz Herzog sobre o material de Treadwell durante a narração do filme.
"Descobri um filme sobre o êxtase humano e o mais sombrio tumulto interior. Como se houvesse nele um desejo de abandonar a prisão de sua humanidade para se ligar aos ursos. Treadwell conseguiu, ao buscar esse encontro primordial. Mas ao fazê-lo, ele atravessou uma fronteira invisível."
O Diário do Homem-Urso estreou em 2005 na primeira Competição Internacional de Documentários do Festival de Cinema de Sundance.
Fundador da organização Grizzly People, Treadwell dedicou sua vida à preservação dos ursos. Juntamente com Jewel Palovak, foi co-autor do livro Among Grizzlies: Living With Wild Bears in Alaska (Entre os Ursos Pardos: Vivendo com Ursos Selvagens no Alasca), e educou milhares de crianças sobre os ursos. Treadwell também usou seu carisma e sua fama crescente para divulgar seu contato com os ursos, aparecendo em programas de TV em que subestimava os perigos desses encontros.
Nem todos acreditavam na pesquisa pouco ortodoxa de Treadwell. Alguns habitantes locais diziam que ao viver entre os ursos, ele estava ultrapassando um limite que havia sido respeitado pelos nativos do Alasca há milhares de anos. Especialistas em vida selvagem expressaram sua preocupação, alegando que ao fazer com que os ursos perdessem o medo natural dos seres humanos — e ao retratá-los como meigos camaradas — ele estava causando mais mal do que bem aos animais. E apesar de uma das razões evidentes das viagens de Treadwell ao Alasca ser proteger os ursos dos caçadores, os guardas do parque afirmaram que a caça nunca foi uma ameaça séria aos milhares de ursos pardos que vivem no arquipélago Kodiak.
Para fornecer uma perspectiva sobre o assunto, Herzog entrevista os amigos, a família e os colegas de Treadwell, assim como ambientalistas e outros especialistas em vida selvagem, cujas opiniões sobre Treadwell variavam tanto quanto a vasta paisagem do Alasca.
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