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Anthony Eden: 1897-1977

Erudito de Oxford e major da Primeira Guerra Mundial condecorado com a cruz militar, Anthony Eden era um homem carismático e de boa aparência, uma das grandes promessas políticas da sua geração. Com apenas 25 anos de idade, ele era membro do partido conservador Warnick e Leamington. Aos 38 anos, foi chamado para ser Secretário de Assuntos Externos, construindo seu nome realizando acordos de paz e assumindo uma posição contrária aos líderes de direita européia Hitler e Mussolini. Como sua posição desafiava a política usada por Chamberlain, que tentava satisfazer estes perigosos líderes, ele decide renunciar em 1938. Em 1952, Eden estava destinado a ser o sucessor de Winston Churchill.

Seu futuro parecia ser brilhante, mas um erro médico mudaria seu destino para sempre. Durante uma operação para a remoção de uma pedra na vesícula, o cirurgião obstruiu seu duto biliar. Este erro deixou Éden vulnerável às infecções e aos ataques violentos de dores e febres. Para que ele pudesse conviver com estes problemas, os médicos lhe receitaram uma droga milagrosa da década de 50: a benzedrina. Nesta época, esta anfetamina era considerada pelos médicos um estimulante inofensivo - a droga ilegal é chamada em inglês de speed (velocidade).

Naquela época, o uso das anfetaminas era comum. Um político, colega de Éden, admitiu que usasse a droga para discursar nas conferências realizadas pelo partido conservador. Mas para Éden, o uso desta droga era muito perigoso, principalmente pela infância difícil que o tornou um homem psicologicamente frágil e impaciente. Além disso, Éden ainda tinha que agüentar a pressão e esperar que Winston Churchill saísse para poder tomar seu lugar.

Quando se tornou Primeiro-ministro em 1955, Éden sofria ao pensar que não estava à altura do grande líder de guerra Winston Churchill. Para combater esta insegurança e ganhar confiança, Eden aumentou a dose de benzedrina. Mas o que ele não sabia é que os usuários de anfetamina terminam adquirindo tolerância às suas doses, tornando-se mais irritados, com os humores alterados e paranóicos. No verão de 1956, Eden era um homem com sérios problemas de saúde e usava drogas que alteravam seu comportamento.

Em julho de 1956, Eden encarou um grande problema internacional. O coronel Nasser do Egito anunciou a nacionalização da Companhia do Canal de Suez, que tinha sido administrada pela Grã Bretanha e a França desde sua construção em 1869. O Canal de Suez era a principal rota do petróleo que saia do Meio Oriente à Europa, por isso a Grã Bretanha achava importante proteger seus interesses. Eden estava contra a nacionalização e possuía uma inimizade pessoal e paranóica com o Coronel Nasser - efeitos característicos de um homem dominado pelas anfetaminas.

Em 16 de outubro de 1956, Eden aceitou fazer uma aliança com a França e Israel para realizar uma operação secreta. Os israelitas invadiriam o Egito, a Grã Bretanha e a França interviriam como mediadores para estabelecer a paz e re-ocupar a área do canal. Em outras circunstâncias, Éden nunca teria usado este estratagema, mas neste momento ele estava totalmente dependente da benzedrina, segundo suas próprias palavras.

A invasão israelita aconteceu em 29 de outubro. As tropas britânicas e francesas chegaram quatro dias depois, mas o ato ocasionou um grande protesto internacional.  Como a Rússia era aliada do Egito e os Estados Unidos queriam as tropas de Eden fora da região, ele terminou provocando um grande conflito entre as maiores potências nucleares do mundo. Em 3 de novembro de 1956, a Rússia ameaçou lançar mísseis sobre a Grã Bretanha se as suas tropas não fossem retiradas. Numa ligação telefônica bem tarde da noite, Eisenhower pediu para Eden retirar suas tropas da região. Eden, quase perto de ter um colapso, concordou na retirada sem consultar aos franceses.

A forma como Éden administrou o conflito do Canal de Suez foi um desastre. Mas o que mais surpreendeu o mundo foi a sua decisão de sair de férias. Mesmo com as tropas britânicas ainda no Egito, os médicos resolveram mandá-lo para a Jamaica e tentar diminuir sua dependência às anfetaminas. Mas esta estratégia não pôde salvar sua carreira política. Talvez, se não tivesse misturado sua doença com as anfetaminas, ele poderia ter sido um bom Primeiro-ministro, como foi quando era Secretário de Assuntos Externos. No entanto, infelizmente ele só é lembrado pelos seus erros e pela estupidez cometida no caso do Canal de Suez.